domingo, 25 de agosto de 2013

Alquimia o Arquimagistério Solar











Alquimia
o Arquimagistério Solar
Luis Carlos de Morais Junior




























Alquimia
o Arquimagistério Solar
Luis Carlos de Morais Junior

Alchimia
seu Archimagisterium Solis
in V libris
 Ludovicus Carolus Morales Junior

























O meu Alquima é dedicado, com amor filial, a José Joaquim de Campos Leão, aka Qorpo Santo
































Os químicos são uma estranha classe de mortais, impelidos por um impulso quase insano a procurar seus prazeres em meio a fumaça e vapor, fuligem e chamas, venenos e pobreza, e, no entanto, entre todos esses males, tenho a impressão de viver tão agradavelmente que preferiria morrer a trocar de lugar com o rei da Pérsia.
(Johann Joachim Beccher. Physica subterranea profundam subterraneorum genesi. Lipsiae: apud Johann Ludov, Gleditschim, anno MDCCIII, escrito em 1667).













A coisa do alpinista

Frascos descorados de álcoois e outras substâncias
Dançando na mente em foco do descentrador
Toda vez que dança lança a alma como um tubo
Que vai numa espiral por muitos outros mundos

Ele faz estrelas azuis e pequeninas
Que saltam feito pipocas de sua retorta
Olha em volta cheio de tesão por tudo tudo
Mudo olha com esperança para essa criança

(Luis Carlos de Morais Junior e Eliane Marques Colchete)




















- Então foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol. Olha, amor, as riscas invejosas, que tecem o rendado nas nuvens que vão partindo para lá do amanhecer, do arrebol.
- Mas que nada, seu tolo, seu bobo, seu menino em forma de homem!! Então não sabe que o rouxinol canta na estrada, pra embalar o sono de todos os homens e o amor de quem ama sem ter planos??
- Você fala estrada e amor, e eu falo espada, aço do melhor. Daqui a pouco eles virão, e é por você que eu quero ir. Não quero que maculem nosso sonho com a sua incompreensão.
- Não vá ainda, querido, é cedo, é quase nada. Nem uma nesga de luz ilumina a madrugada. Ouve bem. Ouve com o ouvido da atenção. Quem canta? É a cotovia, ou é o rouxinol?
- Eu já não sei mais nada!!
- É o meu coração!!

(William Shakespeare e Luis Carlos de Morais Junior)












Alchimia
seu Archimagisterium Solis
in V libris
Ludovicus Carolus Morales, Senior

Capita Rerum:

Liber Primus: Alchimia sive Ars Transmutatoria
Liber Secundus: Alchimia sicut Exalchimia
Liber Tertius: Alchimia sicut Spagiria
Liber Quartus: Alchimia sicut Metallica
Liber Quintus: Alchimia vel Meta Optata

Anexo A:
O livro das XXII folhinhas herméticas por Kerdanek de Pornic, discípulo de Don Pernety, 1763

Anexo B:
Princípios de Philalèthe

Anexo C:
Regles du Philalèthe pour se conduire dans l’œuvre hermétique

Bibliotheca Chemica Curiosa





Liber Primus: Alchimia sive Ars Transmutatoria


Liber Primus: Alchimia sive Ars Transmutatoria
De quibus equidem quid hac in re verius afferendum censeamus iuxta peritiorum semitam, breuibus, annuente domino aeterno omnipotenti, aperiemus.
(Com aqueles que, de igual forma, observam as coisas verdadeiras, as buscamos, do mesmo modo que os peritos semitas, de forma breve, e, com o consentimento do Senhor da Eternidade Todo-Poderoso, iniciemos.)
(Ioannis Augustini Pantheus)[1]

Dormivi et somniavit...
Eu dormi e tive um sonho...
Nele eu via uma longa estrada que passava pelo meio de uma floresta mediterrânea, pela qual eu caminhava. No alto de um monte se avistava um castelo, ao qual me dirigi.
Caminhei muitas horas, e, quando o dia se punha, cheguei ao sopé daquela colina.
Por algum motivo que me parecia tão óbvio dentro da lógica da trama do sonho, eu queria mais que tudo subir por ali, e adentrar a construção medieval. Por outro lado, havia um tremor paralisante, que concorria com o desejo de escalar a elevação, que me dominava.
Resolvi esperar e ver o sol nascer, para poder fazer a minha tentativa.
Subi a uma árvore, me aninhei entre seus galhos, e logo peguei no sono.
Dormindo eu tive uma visão, de que a árvore era um quarto de madeira, no meio do qual havia um caldeirão que fumegava, e dentro do qual eu me banhava. Tal banho era delicioso, como se fosse uma terapia da alma e do corpo.
Depois o caldeirão virou uma rede, do tipo que as usam os índios do Brasil, e que se balançava docemente, ao sabor de um vento contínuo mexendo com os galhos da árvore, sobre a qual a rede estava armada.
Dormindo na rede, no sonho que vinha para mim dentro do sonho, eu tive outra visão onírica, e já não estava no aposento, nem na árvore, mas no mesmo campo aberto, e diante de mim havia uma escada, que subia até os céus.
Implorei a Deus por minha vida e pela Sua Luz.
Senti que um raio me partia em dois, e eu caía ao chão, em duas metades, que se juntavam como um casal enamorado que se abraçasse no transe do amor. Ao estreitar a mim mesmo feito um outro pelo raio, a minha mente se viu invadida de um borbulhante caos, que tinha cor, calor e odor, um perfumado aroma, e na verdade várias cores, e muitas temperaturas, produzindo o seu somatório cálido efeito sobre mim.
Aí eu caí numa visão dentro desse calor do amor das duas partes fendidas de mim pelo raio, como se de novo estivesse a dormir, e essa nova visagem era aquela mesma do castelo, agora visto de dentro, onde eu conversava com uma linda princesa, e fazíamos juntos uma lauta refeição.
Música maviosa se elevada pelo ar e enlevava os nossos corações, e outro tépido efeito senti então, agora de pura afeição, o mais genuíno e intenso amor por aquela donzela.
Ao vê-la tão perto de mim, quis beijá-la, e o fiz, e ela me correspondeu, com ardor.
Mas, nesse exato momento, fui tomado como por uma espiral de energia que eu sentira vir um bilionésimo de segundo antes que ela viesse, e implorei que não, porque pareceria a coisa mais dolorosa do mundo. E a espiral veio, e eu caí por ela, e era tudo que eu pensava, e muito mais. Era como nascer, outra vez.
A dor e o prazer da espiral me fizeram acordar na campina, feito em pedaços que se abraçavam como num quadro de Salvador Dalí.
O susto da visão surrealista me fez voltar a mim na rede, e eu senti alívio e prazer ao ver que ali estava.
Esse prazer explodiu em ondas quentes, que me fizeram sair do sonho montado nos galhos da árvore, na frente do monte, em cima do qual estava o castelo.
Desci da árvore e fui subir pela colina. Todavia, nesse momento, eu despertei de novo, do primeiro sono.
E me vi diante do portal daquela insigne e gigantesca construção, pela qual adentrei.
Ali havia a música, a cor e o aroma com os quais eu fantasiara, no sonho (dentro do sonho (dentro do sonho)), e a mesa estava igualmente posta, com as mais finas e ricas iguarias.
Então eu vejo entrar na sala a mesma princesa com a qual durante toda noite eu sonhara.
Já não conseguia pensar muita coisa, mas ensaiei mentalmente algo assim: um ósculo, uma espiral, despertar, redespertar, para de novo me envolver nessa dança?
E ela apontou a casa do pavão, o magistério, o grão de areia, o manequinho e a escada infinita, e respondeu aos meus pensamentos, sorrindo para mim:
- Sim, conta sempre comigo, meu senhor.

A Alquimia é a arte e ciência que estuda a vida na sua manifestação germinal, e investiga os modos de operação com a pré-matéria formadora do cosmos.
Fulcanelli a diferencia daquilo que ele mesmo chama de Arquimia ou Voarcadumia, e, em nota, explica sobre a técnica metalúrgica:
Se bem que essa definição conviesse mais à arquimia ou voarcadumia, parte da ciência alquímica que ensina a transmutação dos metais uns nos outros, do que à Alquimia propriamente dita.[2]
Não foi Fulcanelli quem a forjou, que já se encontra nos livros Voarchadumia contra Alchimia, e Ars et Theoria Transmutationis Mettalicae cum Voarchadumia, ambos de Ioannis Augustini Pantheus, editados em 1550 e 1566, respectivamente[3].
A Alquimia não é a Arte comum, ela não tem por escopo produzir sensações e reflexões estéticas, exclusiva, ou primacialmente.
A Alquimia não é a Ciência vulgar, ela não estuda objetiva, racional e metodologicamente os fatos-dados que a natureza nos apresenta, digamos assim, já formatados. Ela estuda e trabalha com a força/forma/pensamento que produz esses fatos.
A Alquimia não é a Filosofia que todos conhecem, no sentido que esta é compreendida no ocidente, como uma reflexão racional e logológica (falada e escrita, usando a linguagem) sobre os fundamentos do ser e do pensamento do todo.
Mas, a Alquimia é sempre operativa, laboratorial, e só se faz orando (e cantando).
A própria palavra “laboratório”, que ficou forte na ciência, e hoje se usa para quase tudo, é na verdade uma expressão alquímica, e dá conta da atividade de trabalhar e orar concomitantemente, o que é uma nova coisa, diferente, propriamente, alquímica.
Principalmente; a Alquimia não é interior, filosófica, espiritual, contemplativa. Os que veem nela somente alegorias de êxtases místicos não veem nada, ou quase.
O misticismo existe, todas as formas espiritualizadas e contemplativas também, mas, a Alquimia é outra coisa.
Nosso prezado Carl Gustav Jung errou feio, é muito importante entender, a leitura psicológica ou psicanalítica da Alquimia é uma das maiores bobagens e mais crassas deturpações[4].
A Alquimia se faz num plano pré-individual, não esquematizado, essa é a sua base.
Porém, a questão que bate de pronto para todo mundo, que deixa tanta gente embasbacada, e que leva muitos a duvidarem da viabilidade do nosso Filosófico operar: como se pode fazer na prática esse estudo, que tipo de Laboratório é esse, e mais, quais operações se podem realizar ali, se não são as químicas, e se nem “o nosso ouro não é o ouro vulgar” etc.
Pretendo responder da mais caridosa forma, na medida do possível, nos cinco livros da nossa Alchimia seu Archimagisterium Solis, que é continuação de muitas outras obras que fiz, nas quais falo e escrevo sobre a mutação da consciência humana sob a égide da Literatura, Arte, Filosofia, Ciência, Música, Cultura, e, agora, explicitamente, da Alquimia[5].
Em todos meus trabalhos, sempre coloco múltiplas problemáticas polifônicas, e uma das mais presentes é a nossa Arte, como podemos ver mesmo num relance, ao considerar os títulos dos livros.
Com minha esposa Eliane Colchete (Eliane Blener), escrevi e publiquei:
1)      Y e os Hippies (2009) – trata de um modo alternativo de vida, da questão genética da humanização, do masculino e feminino e da simbologia da letra Y.
2)      O Caminho de Pernambuco (2010) – poema infantil, fala de um mago que auxilia as crianças, e da transmutação espaciotemporal e individual, bem como do aprendizado da arte como processo operativo.
3)      Crisopeia (2010) – o título já é um dos nomes da Grande Obra, a transmutação do metal vil em ouro, e é uma fábula sobre a evolução da consciência e as bodas herméticas.
4)      Clone versus Gólem (2010) – outro livro infantil, narrativa que versa sobre a fabricação de um gólem e a contraposição política de ciência versus sabedoria, assim como do aprendizado da vida e com as pessoas.
5)      O Portal do Terceiro Milênio (2011) – outra fábula sobre o casamento alquímico, a transmutação da consciência e o continuum espatio/tempus.
6)      Abobrinhas Requintadas (Exquisite Zucchinis) (2012) – nosso diálogo poético amoroso, que aborda mil temas relacionados.
O mesmo se dá, se considerarmos os títulos dos outros livros que fizemos.
No meu ensaio de ensaio “Hermetico”, que consta de O Estudante do Coração, 2ª edição, revista e ampliada, podemos ler que as reações ininterruptas de fusão nuclear que emitem todas as radiações de um astro, e mantêm a sua massa no quarto estado físico da matéria, chamado pelos físicos plasma, produzem ininterruptamente átomos de hélio, peso atômico 2, fundindo dois átomos de hidrogênio, de peso atômico 1 (1 próton e 1 elétron).
Mas, reações espaciais mais especiais, quando os sóis se formam, ou quando explodem numa supernova, atingem graus ainda bem mais altos de temperatura e pressão, e fazem com que ele emita uma cascata de radiações e de átomos com maior peso atômico, todos os outros (depois do hélio), até o urânio (e depois), os quais são formados nessas explosões, em tremendas reações de fusão de núcleos de hidrogênio.
O universo inteiro é constituído de hidrogênio, sendo os sóis momentos mais densos da sua ocorrência no continuum espaço/tempo, o mesmo acontecendo com os astros mais frios, cometas, planetas, luas e outros, que também podem ser encarados como constituídos de vários constructos mais densos ainda e com numerosas montagens dos átomos de hidrogênio.
Outro caso que abordo no ensaio, é aquele da alimentação dos seres vivos.
Tudo que ingerimos são substâncias, compostas de um ou mais elementos, que o trato digestivo e as células aproveitam, como moléculas das substâncias mesmas, ou reduzem a moléculas menores, como no caso das proteínas animais e vegetais, que aproveitamos como aminoácidos (que também são moléculas, menores que as proteínas, que as constituem) ou elementos (às substâncias correspondem moléculas, e átomos aos elementos).
O ser vivo também é capaz de fazer transmutações elementares, inconscientes.
Os ovos são fundamentais para a reprodução das aves, e a casca é essencial para que o ovo possa germinar e eclodir. Para que a casca seja forte a ave precisa de muito cálcio na sua alimentação (ossos e cascas são feitos de cálcio). Quando os experimentadores retiram esse elemento da alimentação das galinhas, no entanto, elas fazem internamente a transmutação de algum outro elemento presente na sua dieta em cálcio, por exemplo, o potássio, K, peso atômico 19, que se torna cálcio, Ca, peso atômico 20, pela adição de um próton e um elétron.
Você sabe os multivitamínicos que se compram e que contêm todas as vitaminas e sais minerais necessários no metabolismo humano? O esperma humano contém todas essas vitaminas e sais minerais, mesmo que não estejam presentes na alimentação do homem.
O mesmo se dá com o colostro, o leite que o recém-nascido mama, pela primeira vez, e que é mais rico do que todos os outros, trazendo todos os nutrientes e anticorpos necessários para o bebê.
Assim como, na cauda locomotora do espermatozoide, há átomos de ouro, sempre, ainda que o seu produtor não ingira vestígios dessa substância. Logo, o pai que gera e a mãe que gera e alimenta, produzem, em seus corpos, transmutações que viabilizam o espermatozoide e o colostro.
O mesmo se dá com o cálcio da casca dos ovos das aves: se tal elemento for retirado da sua alimentação, elas mesmo assim botarão ovos com cascas de cálcio, por transmutação.
Há uma mente no corpo, nos órgãos, nos tecidos e nas células, que parece que sabe o que pode e deve fazer. Há uma mente na semente (a automente, isto é, a mente de si de cada ser).
Nessa visão, os átomos não são mais aquilo que seu nome diz, indivisíveis, mas sim construções de elétrons, prótons e nêutrons, os quais, por sua vez, são montagens de outras partículas, que podem se combinar entre si de uma forma mais essencial, não só pelas ligações químicas, mas nas estruturas físicas, que ultrapassam a sua colocação na tabela periódica, isto é, a sua elementaridade.[6]
Ali eu argumentava exclusivamente baseado na Física e na Química tradicionais, era um pouco da arte do convencimento, mas muito de disfarce.
Este livro aqui se liga a um projeto contínuo chamado Aquarius, que começou no Ano 2000 d. C., que conta com os seguintes volumes:
I)                   Aquarius 1 – Courier New – 2000
II)                Aquarius 2 – Guerra e Amor – 2001
III)             Aquarius 3 – Mensagens na Garrafa – 2002
IV)             Aquarius 4 – Homo futurans (ou: A Fundação do Petrelismo), que constitui o Liber Quintus: Alchimia vel Meta Optata desta Alchimia seu Archimagisterium Solis
V)                Aquarius 5 – O mundo inteiro está falando de nós dois – Livro-diário de Bordo do Ano de 2008
Estes livros se constituem em epopeias líricas e poesias temporalizadas, pois acompanham o tempo daquele ano, no qual estão inscritos e escritos, e fazem pendant com minha parceria com Eliane Marques Colchete, O Portal do Terceiro Milênio.
Aquarius 5 acompanha cada dia do ano, e, na oitava que corresponde a 15 de Abril de 2008, podemos ler:
Vivemos numa bolha protegida
Chamada vida
Nós somos o piloto da onda viva
Saber ousar fazer
Antes de tudo
Ler reler orar e labutar
Vir ver e vencer
Antes de tudo é necessário crer[7]
Já, em 8 de Julho de 2008, escrevi assim:
A fragilidade dos átomos
E das partículas subatômicas
Na verdade a sua suavidade
A sua atemporalidade
E amaterialidade
Eles que são a estrutura de tudo
Êh, como já dizia mestre Helvétius:
“Os homens são os inventores da matéria”[8]
Agora me decidi a realmente escrever um livro mais caridoso, de clara natureza alquímica, pois percebi que não é preciso haver mais tanto acobertamento.
O que levava os alquimistas do passado a esconderam tanto, tantas coisas?
Podemos pensar nas seguintes arestas desse nosso sólido eneadimensional:
1.      Defender-se da perseguição pública;
2.      Defender-se da perseguição religiosa;
3.      Defender-se da perseguição estatal;
4.      Defesa contra o abuso de alguma autoridade que quisesse se aproveitar de seus poderes;
5.      Respeito à lenta evolução da humanidade, que ainda não poderia perceber nem receber bem certas verdades;
6.      Consideração ao fato de que cada ser humano evolui na sua velocidade própria, e não se pode forçar o desabrochar de cada um;
7.      O próprio fato de que as verdades que são percebidas pelo alquimista não são comunicáveis pela mente e pela linguagem comuns;
8.      Cuidado com o sistema econômico mundial e da sua nação, pois o surgimento repentino de muito ouro (fabricado por inescrupulosos e inconsequentes) produziria o caos nas economias;
9.      As riquezas espirituais e dons materiais que a Alquimia proporciona seriam destinados a quem os merecesse perante Deus, e não podemos interferir no mérito e no desenvolvimento de cada um;
10.  As forças e técnicas que a Alquimia lidera são muito avançadas e liberam muito poder, e não devem ser divulgadas a torto e a direito, para os que têm e os que não têm um critério moral referente ao seu uso (ou abuso, como no caso da Física, da Biologia e da Química, e muitas outras ciências atuais).
Sobre as causas e a efetividade dessa dificuldade, vejamos como o resume a Enciclopédia on line mais famosa da web:
A própria palavra “hermético” sugere a dificuldade dos textos dos autores alquímicos. Esta tem por causas:
·      Os autores se referirem às substâncias e processos por nomes próprios à Alquimia,
·      Haver vários processos (vias) de operação que não são explicitados,
·      A maioria das substâncias serem referidas com perífrases elaboradas,
·      A existência de muitas referências mitológicas e cultas,
·      O uso de palavras que, lidas em voz alta, produzem uma outra,
·      O não apresentar partes de processos, referindo o leitor a outro autor,
·      O não apresentar as operações por ordem,
·      O enganar propositadamente o leitor.
Em alguns casos (e.g. Mutus Liber, “O Livro Mudo”), a exposição é feita apenas, ou predominantemente, por gravuras alegóricas. Escrito dessa maneira, até um livro de culinária seria impenetrável em seu conteúdo. As finalidades deste obscurecimento eram proteger-se de perseguições e não deixar os processos caírem na via pública.
Qualificações habituais dos autores são o ser “caridoso”, se expõe os seus temas corretamente, ou “invejoso” (cioso do seu conhecimento), se engana o leitor. Um autor pode ser caridoso num trecho e invejoso em outro.[9]
Relacionados ao que ora citamos, e aos dez motivos da ocultação que acima aventei, gostaria de reportar os conselhos que Mestre Alberto nos dá em sua obra De Alchimia:
1.         O alquimista será discreto e silencioso; não revelará a ninguém o resultado de suas operações.
2.         Habitará, longe dos homens, uma casa particular na qual terá duas ou três peças exclusivamente destinadas às suas operações.
3.         Escolherá cuidadosamente o tempo e as horas de seu trabalho.
4.         Será paciente, assíduo e perseverante.
5.         Executará, segundo as regras da arte, a trituração, a sublimação, a fixação, a calcinação, a solução, a destilação e a coagulação.
6.         Não se servirá senão de vasos de vidro e potes de louça a fim de evitar o ataque dos ácidos.
7.         Será bastante rico para fazer as despesas que exigem tais operações.
8.         Evitará, sobretudo, ter qualquer relação com príncipes e senhores. Efetivamente, primeiro esses apressariam sua obra, em seguida os piores tormentos o esperariam em caso de insucesso e a prisão o compensaria em caso de sucesso.[10]
Devemos considerar estas máximas cum grano salis, pois, assim como o nosso ouro não é o ouro vulgar, ser rico não é necessariamente o que o vulgo assim entende, ou a glória do mundo (de que trata Hermes Trismegistos na sua Tábua de Esmeralda) pouco ou nada tem a ver com a gloríola.
Na mesma obra onde haurimos estas máximas, podemos ler na íntegra os Princípios de Philalèthe, extraído do texto Uma exposição sobre a Epístola de Sir George Ripley ao rei Edward IV”, incluído em Ripley Reviv’d: or, an exposition upon Sir George Ripley’s hermetico-poetical works (Ripley Revivido: ou, uma exposição sobre as obras hermético-poéticas de Sir George Ripley), Londres: 1678, que ofereço ao leitor no Anexo B, em uma versão alternativa, bem como acrescento no Anexo C o mesmo texto em francês, as Regles du Philalèthe pour se conduire dans l’œuvre hermétique.
Antes devemos separar as três Artes pelas quais se manifesta a Alquimia, e que abrangem campos tão solidamente preparados, irrigados e semeados:
I – A Espagíria – arte/ciência/mística de separar e unir as partes das substâncias para prover a sua sublimação.
II – A Voarchadumia – aplicação específica da espagíria ao reino mineral, especialmente a pedras preciosas e metais.
III – A Alquimia – que é a “meta optata”, o nosso “objetivo desejado”, como a chamo, a heraclítica chama, ou o “desejo desejado”, conforme afirma Nicolas Flamel.[11]
Sobre a nossa Arte em seu núcleo operativo falarei no Quinto Livro desta obra, sob a técnica nomeada por Veloso de “proesia”[12], para homenagear a escrita do poeta Campos, ou talvez sob a égide daquela iluminada “prosa porosa”, segundo o dizer de seu irmão:
cansado do critiquês
a linguagem
inevitavelmente
pesada
e pedante
das teses sem tesão
e das dissertações dessoradas
em que se convertera
em grande parte
a discussão da poesia entre nós
pensei em Flaubert
quando é que seremos artistas
nada mais que artistas
mas realmente artistas?
e em pound
conversa
entre homens inteligentes
e me disse
com esperança:
por que não
recortar
as minhas incursões
de
poeta-crítico
em prosa porosa?[13]
A Alquimia pode ser melhor compreendida se considerarmos o lema: “um só vaso, uma só matéria, um só forno”.[14]
E esta “via interior”, esta “via sacra”, que parte desta “pedra negra hierática” /.../, desta “pedra que não é pedra”, mas sim κόσμου μίμητα – “imagem do cosmos” –, do “nosso chumbo negro”, (sob este ponto de vista, trata-se de vários símbolos do corpo humano), esta via ao longo da qual surgiram Heróis e Deuses, “céus” e “planetas”, homens elementares, metálicos e sidéreos, está enigmaticamente encerrada nas siglas VITRIOL, explicadas assim por Basílio Valentim: “Visita Interiora Terrae [Terra = o corpo], Rectificando Invenies Occultum Lapidem [percorre as entranhas da terra (do Corpo), e rectificando encontrarás a pedra oculta]”. Ao longo dessa via, o conhecimento de si mesmo e o conhecimento do mundo intercondicionam-se, até se tornarem em uma só e mesma coisa maravilhosa, verdadeiro objetivo da Grande Obra ou Opera Magna: pois que aqui fora (como em cima assim também em baixo, como no espírito na natureza), tal como no organismo humano, se encontram presentes os Três, os Quatro, os Sete, os Doze; Enxofre, Mercúrio, Sal; Terra, Água, Ar, Fogo; os Planetas; o Zodíaco. “O forno é único – dizem enigmaticamente os Filhos de Hermes –, único o caminho e única também é a Obra”. Há uma só Natureza e uma só Arte... A operação é única, e fora dela não há nem existem outras verdadeiras”.[15]
Ou, como expressa nosso amado Fulcanelli:
Aqui, um pensamento, fundado no dogma da unidade, resume toda a filosofia: Omnia ab unum et in unum omnia – Tudo provém da unidade e a unidade contém tudo.[16]
Seu livro é por nós considerado o mais dadivoso; na verdade, sua trilogia, que aceitamos na íntegra.
Os casos da aparição física, jovem e feminina do mestre, a seu pupilo Canseliet, já maduro, e a publicação do original enviado a Jacques d’Ares (Presidente de Honra do Centre Européen des Mythes & Légendes) pela internet, em 1999, da nova versão reescrita pelo autor de Finis Gloriae Mundi[17], não devem ser considerados mistificações, do ponto de vista alquímico, mas sim sutis ocorrências da transubstancialidade real.
Quando Fulcanelli, na obra As Mansões Filosofais, procede ao levantamento possível da etimologia para a palavra “Alquimia”, e inicia a distinção entre esta e a Voarcadumia, o trabalho de transmutação dos metais, consegue estabelecer uma das mais claras apresentações da nossa Arte:
Mas nós sabemos, por outro lado, que o nome e a coisa se baseiam na permutação da forma pela luz, fogo ou espírito; é esse, pelo menos, o verdadeiro sentido que a língua das Aves indica. [18]
Another tip, isto é, uma outra luz sobre a questão, extraída de La Grand Oeuvre, do alquimista moderno Grillot de Givre, dão-nos os versos latinos da Philosophia Rephormata de J. D. Milyus, Frankfurt, 1622, por ele citados:
Ut corpus nostrum tenues vertatur in auras,
tollitur es humili rursus ad alta loco.
Rex tibi phoenicem, cygnum regina reportat,
egreditur iatebis tum lupus ipse suis.
Stant in Apillinea crescentes arbore fructus;
matura in hinc tempus gramina falce metit.
Aos leitores que preferem reler os versos de Grillot de Givry em vernáculo, forneço esta versão muito livre que fiz:
Para que o nosso corpo se torne um ar ligeiro
tire-se a terra dele, em vezes sucessivas.
O rei te ofertará a fênix, e a rainha, o cisne,
ainda que o lobo apareça, saindo das cavernas.
Nas árvores, douram os frutos de Apolo;
e o tempo com sua foice corta a erva madura dos campos.[19]
Chamo-a de Meta Optata, no entanto, ela possui vários epítetos, Hiperquímica, Ars Magna, a Grande Arte, Arte Real, a Arte por Excelência, a Arte do Artista, a Arte das Artes, a Filosofia, a Cerâmica Divina, a Agricultura Celeste, a Escrita Sagrada...[20]
Os simples nomes já falam quase tudo, para quem puder e quiser ver.
- Onde mais entendes, mais podes amar ou desamar o que entendes; e onde mais podes amar ou desamar, mais podes entender. Ora, se Deus é homem e nasceu homem de mulher virgem, e se isso entendes e amas, maior é a flor acima dita que não o seria se amasses este fato mas não o entendesses, ou se entendesses e o desamasses. E se isso não fosse assim, seguir-se-ia que a prudência e a caridade seriam contrários, e que a prudência e o contrário da caridade concordariam, e que a caridade a imprudência conviriam, e isto é impossível. Esta impossibilidade significa que aquilo pelo que a prudência e a caridade melhor convêm, convém ao ser.[21]
Reconheço amplamente a humildade do meu talento, diante da tarefa de que fui incumbido. Não obstante, prometo me esforçar ao máximo por cumpri-la da melhor maneira possível, dentro das minhas forças.
Explicar a Alquimia é o trabalho impossível que nesta obra me proponho, depois de tantos mestres maravilhosos, tão mais competentes que eu, dos quais, podemos citar, entre outros: Hermes Trismegisto, Enoch, Jetro, Moisés, Salomão, Pitágoras, Demócrito, Cleópatra, Maria, a Judia, Dioscórides, Ammonius Saccas, Alexandre de Afrodisisas, Zózimo, Bolina, Jaber abu Musa, Khalid, Morienus, Abu Musa Jabir ibn Hayyan (Geber), Abū ʿAlī al-Ḥusayn ibn ʿAbd Allāh ibn Sīnā (Avicena), Calid, Albertus Magnus, Guido Bonatti de Forlì, Roger Bacon, São Tomás de Aquino, Arnald de Villanova, Raimundo Lúlio, Afonso X, Nicholas Flamel de Pontoise, Christian Rosenkreutz, Paracelso, Maximiliano II de Habsburgo, Giovanni Battista della Porta, Irineu Filaleto, Conde de Saint Germain, Borri, Anselmo Caetano Munho’s de Avreu Gusmão Castelo Branco, Alberto Poisson (Filofotes), Papus (Gérard Encausse), Marquês de Saint-Yves d’Alveydre, Isaac Newton, Fulcanelli, Eugène Canseliet, Armand Barbault, Rubellus Petrinus.[22]

E, é claro, o maior de todos os mestres, Jesus de Nazaré, o Nosso Amado Senhor Jesus Cristo, o supremo Artista ou Alquimista do Arquimagistério Solar.


[1] PANTHEUS, Ioannis Augustini. Voarchadumia contra Alchimia ars distincta ab archimia et sophia: cum additionibus, proportionibus numeris, & figuris opportunis. Paris: Veneunt apud Viventium Gaultherot, via ad Diuum Jacobum, sub signo D. Martini, 1550, p. 8, tradução minha.
[2] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, nota à p. 66.
[3] PANTHEUS, Ioanne Augustino. Voarchadumia contra Alchimia ars distincta ab archimia et sophia: cum additionibus, proportionibus numeris, & figuris opportunis. Paris: Veneunt apud Viventium Gaultherot, via ad Diuum Jacobum, sub signo D. Martini, 1550.
______. Ars et Theoria Transmutationis Mettalicae cum Voarchadumia, proportionibus, numeris, & inconibus rei accommodis illustrata. Paris: Veneunt apud Viventium Gaultherot, via ad Diuum Jacobum, sub signo D. Martini, 1566.
[4] Ver JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. 4 ed. Trad. Maria Luiza Appy et alii. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.
______. Mysterium Coniunctionis. Com a colaboração de Marie-Louise von Franz. 5 ed. 3 v. Trad. Frei Valdemar do Amaral. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.
FRANZ, Marie-Louise von. Alquimia. 9 ed. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 1993.
[5] COLCHETE, Eliane. Contos do espelho. Rio de Janeiro: Quártica, 2011.
______. Contos da musa irada. Rio de Janeiro: Quártica, 2011.
______. Filosofia, Ceticismo e Religião – com um estudo sobre Diógenes Laércio. Rio de Janeiro: Quártica, 2013.
______. O Pós-moderno: Poder, Linguagem e História. Rio de Janeiro, Quártica, 2013.
COLCHETE, Eliane Marques e MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. Y e os Hippies. Rio de Janeiro: Quártica, 2009.
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Morais Junior, Luis Carlos de. Proteu ou a Arte das Transmutações; leituras, audições e visões da obra de Jorge Mautner. Rio de Janeiro: HP Comunicação, 2004.
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[6] MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Estudante do Coração; ensaios sobre arte pós-moderna. 2 ed; revista e ampliada. Rio de Janeiro: Litteris, 2013, p. 191-193, adaptado.
[7] Disponível em http://naturealive.blogspot.com.br/, acesso: 25/08/2013. Aqui e no Homo futurans, Fevereiro, eu estou citando MARTINEAU, Mathrin Eyquem. O Piloto da Onda Viva. Trad. Maria José Pinto. Lisboa, Edições 70, 1977.
[8]
Idem, ibidem. O cientista citado é o físico e alquimista holandês Johann Friedrich Schweitzer, também conhecido como John Frederick Helvetius (1625–1709), não se tratando do filósofo iluminista Claude-Adrien Helvétius (1715–1771). 
[9] Site Wikipedia, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alquimia, acessado em 06/08/2013.
[10] ALBERTO, Mestre. De Alchimia, apud SADOUL, Jacques. O Tesouro dos Alquimistas. Trad. Rachel de Andrade. São Paulo: Hemus, /s.d./, 66. Jorge Ben cita esses conselhos na sua canção “Os Alquimistas estão chegando” do LP A Tábua de Esmeralda.
[11] FLAMEL, Nicolas. “O Desejo Desejado”, in O Livro das Figuras Hieroglíficas. Trad. Luis Carlos Lisboa, Rio de Janeiro, Editora Três, 1973, p. 147 e ss.
[12] VELOSO, Caetano. Alegria, Alegria. 2 ed. Rio de Janeiro, Pedra Q Ronca, 1977, p. 80: “Estou falando de vera. Vera. Eu quero a proesia. Eu quero as galáxias do poeta heraldo de los campos. Quem não se comunica dá a dica. Eu quero a proesia. /.../” . Caetano fala do poema livro Galáxias, de Haroldo de Campos.
[13] CAMPOS, Augusto de. O Anticrítico. São Paulo: Companhia das Letras 1986, orelha.
[14] SADOUL, Jacques. O Tesouro dos Alquimistas. Trad. Rachel de Andrade. São Paulo: Hemus, /s.d./. O original é: Le Trésor des Alchmistes. Paris: J’ai Lu, 1970, p. 41, é uma citação de Philalèthe na sua 12 regra ou princípio, ver Anexos B e C.
[15] ÉVOLA, Julius. A Tradição Hermética. Trad. Maria Teresa Simões. Lisboa: Edições 70, 1979, “Os Símbolos e a Doutrina”, 5. A “presença” hermética, p. 41-42. Aqui o autor inclui várias notas, pois cita muito, de forma cruzada, e remeto a seu texto para poder ver todas elas (p. 99, da edição portuguesa que possuo), as quais incluem Morgenröte, Aurora, de Böhme, Textos Pseudodemócritos, Novum Lumen Chemicum, Livro da Misericórdia etc.
[16] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, “A salamandra de Lisieux V”, p. 72.
[17] Finis Gloriae Mundi. Trad. Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Pensamento, 2008, p. 7-18.
[18] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, p. 66.
[19] GIVRY, Grillot de. La Gran Obra; doce meditaciones sobre la vía esotérica al Absoluto.  (Original: La Grand OEuvre, XII meditations sur la voie ésotérique de l’absoltu). 4 ed. México, Editora y distribuidora Yug, 2001, p. 51, tradução minha.
[20] V. MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. “A Festa do Bolo”, in Massas Verbais, inédito, p. 91 do manuscrito.
[21] LÚLIO, Raimundo. O Livro do Gentio e dos Três Sábios. Trad. Esteve Jaulent. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 178.
[22]Hermes Trismegisto (Hermes = o interprete – Trimegisto = 3 megas = 3 vezes grande, ou o que possui os 3 reinos de sabedoria: mineral, vegetal e animal). É atribuída sua existência no ano de 1900 a. C.; Hermes é mesmo Thoth dos egípcios e sua existência acompanha a vida religiosa do Egito.
Enoch (que significa Inicie, ou, Iniciador), foi um rei hebreu que construiu um santuário subterrâneo onde colocou sob 2 pilares, segredos (princípios da Alquimia) que seriam uma herança para o desenvolvimento da humanidade. Este é o mesmo mencionado nos Gêneses, o sétimo da geração de Adão, sua vida revela riquezas de detalhes na semelhança com Thoth.
Jetro – sacerdote etíope, foi sogro de Moisés no exílio.
Moisés – (1705-1594 a. C.) teve a iniciação egípcia e também teve um aprendizado etíope em seu exílio.
Salomão – supõe-se que tenha nascido 1033 anos antes de Cristo, suas obras alquímicas mais conhecidas são: “A Clavícula de Salomão”, “Sobre a Pedra dos Filósofos”.
Pitágoras – o sábio filósofo (590-470 a. C.), levou 22 anos para adquirir o título de sacerdote egípcio. Já prestes a regressar à Grécia para exercer seu ministério, o Egito foi conquistado e juntamente com alguns sacerdotes egípcios foi levado para a Babilônia. Lá ficou cativo por 12 anos, onde se aprofundou na magia que ali se difundia.
Cleópatra – descendente de faraó foi também iniciada. Dizem que por sua magia conseguia enganar os dominadores romanos.
Demócrito – (séc. V a. C.) era filho de nobre da Persa e foi iniciado nos mistérios egípcios; morreu com 109 anos.
Dioscórides – médico grego, viveu cerca de 50 anos a. C.
Sacca – (séc. II), fundou a escola Neoplatônica de Alexandria.
Alexandre de Afrodisisas – séc. II, inventou o alambique, destilou água marinha. Ocultista que não desfrutou grande fama. Viveu entre o séc. II e III.
Zózimo – (séc. III) viveu a maior parte de sua vida em Alexandria, afirmava que o reino egípcio é subsidiado pela arte de fazer ouro, um dos alquimistas mais respeitados, conhecido como A Coroa dos Filósofos.
Bolina – (séc. III) conhecido como o Sábio.
Jaber abu Musa Giafar –séc. VII, árabe da Mesopotâmia, conhecido por Magister Magistrorim.
Khalid – séc. VII , rei árabe que iniciou Morienus nos segredos da Alquimia.
Morienus – (séc. VII) morreu como um ermitão cristão nas montanhas perto de Jerusalém. Ele foi conhecido por enviar grandes doações anuais em ouro para a Igreja Cristã
Geber – (séc. VIII) médico iniciado na fraternidade Sufi (representa o sistema ascético de misticismo islâmico que acentua contemplação como um veículo para união extática com o Divino).
Avicena – (980-1087) médicos, também, iniciado na fraternidade de Sufi. Era chamado O Príncipe dos Médicos.
Calid – séc. X, sultão do Egito.
Albertus Magnus – (1193-1280) monge dominicano.
Guido Bonatti de Forlì – (1223-1296).
Roger Bacon – (1214-1294) chamado doctor Mirabilis, era um monge franciscano.
São Tomás de Aquino – (1225-1274) monge dominicano conhecido como Doutor Angélico. Nasceu no Castelo de Roccasecca, arredores de Aquino, no norte do reino de Nápoles. Estudou com Alberto Magno, por quem teria sido iniciado no conhecimento de Alquimia. Muitos estudiosos da obra de Tomás de Aquino não acreditam que ele tenha escrito livros de Alquimia, por ser esta arte considerada herética. No momento de sua morte, Alberto Magno, que se encontrava em Colônia, anuncia o fato aos outros frades e chora.
Arnald de Villanova – (1245-1313) foi médico, astrólogo, teólogo e diplomata.
Raimundo Lúlio – (1234-1315) se aliou durante um tempo aos franciscanos, foi iniciado por Arnold de Villanova.
Afonso X – (1252-1284), rei de Castela, chamado O Sábio.
Nicholas Flamel de Pontoise – (1330-1417) misteriosamente arrumava fortunas para construir hospitais e restabelecer igrejas parisienses.
Rosenkreutz – em 1480 restaura algumas fraternidades herméticas.
Paracelso – (1493-1541), nome original: Aurélio Filipe Teofrastro Bombast. Nasceu na Suíça, viajante solitário e nômade que desprezava o mundo do poder, do dogma e dos valores estabelecidos. Morreu misteriosamente na Áustria, sua tumba foi encontrada vazia anos depois. Seu epigrama ‘A Magia é uma Grande Sabedoria Oculta – A Razão é uma Grande Loucura Pública’.
Maximiliano – (1527-1576) imperador da Alemanha.
Giovanni Battista della Porta – (1540-1615) conhecido como Magus Veneficus.
Irineu Filalet – (1612-1680).
Conde de S. Germano (1698-1784) – Voltaire descreveu St. Germain como ‘o homem que não morre’. Em janeiro de 1661 foi condenado a morte por prática de heresia, espagiria, e astrologia. Sendo aprisionado, fugiu miraculosamente, andou vagando por diversos lugares, foi ministro e conselheiro do rei da Dinamarca.
Borri - nasceu em maio de 1627, jesuíta e filósofo hermético italiano. Frequentou os laboratórios reais, numa projeção por meio de líquidos com o qual encheu duas ânforas, que fechou com 2 chaves, uma dando à rainha e a outra conservando-a com ele, pois o resultado devia ser observado depois de certo tempo. Depois de muito tempo, a rainha, vendo que o alquimista não voltava, zangou-se por ter sido ridicularizada; fez abrir a caixa e apoderou-se dos vasos e constatou que um havia se transformado em ouro e o outro em prata; e os 2 metais eram perfeitos em suas respectivas qualidades.
Filofotes – (1869-1894) nome verdadeiro Alberto Poisson .
Doutor Papus – nasceu em 1838 recebendo o nome de Gérard Encausse.
Marquês de Saint-Yves d’Alveydre – nascido em 1844.
Isaac Newton – fez a tradução da Tábua Esmeraldina; G. W. Leibniz, como também Robert Boyle, o pai da química moderna, aceitaram a teoria da transmutação Alquimia.
Carl Gustave Jung – (1875-1961) utilizou dos princípios da Alquimia no processo de análise.
Marie-Luise von Franz – seguiu os passos de Jung, ele via nela uma alquimista nata. Autora dos livros ‘Alquimia’ e ‘Alquimia e Imaginação Ativa’; além de ser colaboradora de Jung em vários de seus livros de Alquimia – morreu janeiro 1998”.
“Alguns Alquimistas”, Asther Produtora, disponível em http://www.asther.com.br/Alquimia.php?conteudo=25, acesso 11/08/2013.
Site Alquimia de Rubellus Petrinus: http://www.tpissarro.com/Alquimia/, acesso 11/08/2013.